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7 de abr de 2014

As Seis Lições

Fiz curso de economia numa universidade federal, onde o maior destaque era dado às concepções keynesiana e marxista. Em nenhum momento do curso falou-se do grande economista Ludwig von Mises.
O livro "As Seis Lições" consiste numa série de palestras que Mises magnificamente ministrou na Argentina, em 1958. Percebo o quanto me fez falta o contato com esse pensador durante meu curso de economia.


Em "As Seis Lições", Mises não perde tempo com ideologias estatizantes. Ele sabe que o grande poder ao qual as empresas devem se sujeitar é o poder do mercado, a concorrência: "(...) a mais poderosa empresa perderia seu poder e sua influência se perdesse seus clientes." (p. 15)
Mises refuta muitas falácias, infelizmente ainda comuns hoje em dia. Por exemplo, a ideia que o capitalismo representou um atraso para a humanidade:
Sabe que a população deste planeta é hoje dez vezes maior que nos períodos precedentes ao capitalismo? Sabe que todos os homens usufruem hoje um padrão de vida mais elevado que o de seus ancestrais antes do advento do capitalismo? E como você pode ter certeza de que, se não fosse o capitalismo, você estaria integrando a décima parte da população sobrevivente? Sua mera existência é uma prova do êxito do capitalismo, seja qual for o valor que você atribua à própria vida. (p. 17).
(...)
A velha história, repetida centenas de vezes, de que as fábricas empregavam mulheres e crianças que, antes de trabalharem nessas fábricas, viviam em condições satisfatórias, é um dos maiores embustes da história. As mães que trabalhavam nas fábricas não tinham o que cozinhar: não abandonavam seus lares e suas cozinhas para se dirigir às fábricas – corriam a elas porque não tinham cozinhas e, ainda que as tivessem, não tinham comida para nelas cozinharem. E as crianças não provinham de um ambiente confortável: estavam famintas, estavam morrendo. E todo o tão falado e indescritível horror do capitalismo primitivo pode ser refutado por uma única estatística: precisamente nesses anos de expansão do capitalismo na Inglaterra, no chamado período da Revolução Industrial inglesa, entre 1760 e 1830, a população do país dobrou, o que significa que centenas de milhares de crianças – que em outros tempos teriam morrido – sobreviveram e cresceram, tornando-se homens e mulheres. (p. 17-18)
No mesmo sentido, a refutação do marxismo e suas concepções equivocadas:
Se consideramos a história do mundo – e em especial a história da Inglaterra a partir de 1865 – verificaremos que Marx estava errado sob todos os aspectos. Não há um só país capitalista em que as condições do povo não tenham melhorado de maneira inédita. Todos esses progressos ocorridos nos últimos oitenta ou noventa anos produziram-se a despeito dos prognósticos de Karl Marx: os socialistas de orientação marxista acreditavam que as condições dos trabalhadores jamais poderiam melhorar. Adotavam uma falsa teoria, a famosa “lei de ferro dos salários”. Segundo esta lei, no capitalismo, os salários de um trabalhador não excederiam a soma que lhe fosse estritamente necessária para manter-se vivo a serviço da empresa.
Os marxistas enunciaram sua teoria da seguinte forma: se os padrões salariais dos trabalhadores sobem, com a elevação dos salários, a um nível superior ao necessário para a subsistência, eles terão mais filhos. Esses filhos, ao ingressarem na força de trabalho, engrossarão o número de trabalhadores até o ponto em que os padrões salariais cairão, rebaixando novamente os salários dos trabalhadores a um nível mínimo necessário para a subsistência – àquele nível mínimo de sustento, apenas suficiente para impedir a extinção da população trabalhadora. (p. 23-24)
Outra ideia absurda, e fartamente repetida no estranho país em que vivemos, é o entendimento que investimentos de empresas estrangeiras seria algo ruim:
(...) em muitos outros países o problema é extremamente mais critico. Além de não haver – ou de não haver em volume suficiente – poupança interna, o investimento de capital oriundo do estrangeiro é severamente reduzido em decorrência da franca hostilidade existente em relação ao investimento externo. Como podem estes países falar de industrialização, da necessidade de criar novas fábricas, de atingir melhores condições econômicas, de elevação do padrão de vida, de obtenção de padrões salariais mais elevados, de implantar melhores meios de transporte, se adotam uma prática que terá exatamente o efeito oposto? O que suas políticas fazem efetivamente, quando criam obstáculos ao ingresso do capital estrangeiro, é impedir ou retardar a acumulação interna de capital. (p. 85)
Desse modo, a chave para o desenvolvimento de uma nação está na liberdade econômica. E nesse contexto, a disponibilidade de capital. Essa é a questão primordial, e não a intervenção do Estado.
Uma única coisa falta para tornar os países em desenvolvimento tão prósperos quanto os Estados Unidos: capital. No entanto, é imprescindível que haja liberdade para empregá-lo sob a disciplina do mercado, não sob a do governo. (p. 86)
Nesse sentido, Mises indica qual deve ser nossa linha de ação:
(...) É nosso dever lutar contra o confisco da propriedade, o controle de preços, a inflação e contra tantos outros males que nos assolam. Ideias, e somente ideias, podem iluminar a escuridão. As boas ideias devem ser levadas às pessoas de tal modo que elas se convençam de que essas ideias são as corretas, e saibam quais são as errôneas. (p. 101)
Enfim, "As Seis Lições" trata-se de um pequeno grande livro, extremamente atual, recomendável para quem quiser aprender economia com bom senso.
Disponível gratuitamente para download na biblioteca virtual do Instituto Ludwig von Mises Brasil: http://www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=16

REFERÊNCIA CONSULTADA:
MISES, Ludwig von. As Seis Lições. 7° ed. São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2009. Disponível em: <http://www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=16>. Acesso em: 05 abr. 2014.

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