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25 de jan de 2013

O Trabalhador do Conhecimento, Segundo Peter Drucker


Antes da Revolução Industrial, nos sistemas de trabalho de base artesanal, o processo produtivo era determinado pela habilidade do trabalhador, devidamente preparado e qualificado para o manejo de suas ferramentas de trabalho. Desse sistema decorriam sérias limitações de produtividade, de padronização e custos, tornando os ofícios de manufatura extremamente dependentes do fator humano.
Com o advento da maquinização do processo produtivo, via difusão tecnológica da máquina a vapor, a dependência de trabalhadores qualificados torna-se rapidamente menor. Agora o trabalhador torna-se operário, aquele que responde e alimenta o processo de produção mecanizado, realizando tarefas simples, determinadas e mensuráveis. A qualificação para formação dos antigos artesãos não é mais necessária, a produtividade é maior, os produtos são padronizados e os custos diminuem consideravelmente. O ápice desse modelo é expresso nos ganhos de economia de escala e na divisão do trabalho no processo produtivo do taylorismo e fordismo.


Menos de uma década depois que Taylor examinou o trabalho e analisou-o, a produtividade do trabalhador manual iniciou sua ascensão sem precedentes. Desde então, ela tem subido regularmente à taxa de 3,5% ao ano, o que significa que aumentou 50 vezes desde Taylor. Nesta realização, baseiam-se todos os ganhos econômicos e sociais do século XX. A produtividade do trabalhador manual criou aquelas que hoje chamamos de economias "desenvolvidas". Antes de Taylor, isso não havia – todas as economias eram igualmente "subdesenvolvidas". Hoje, uma economia subdesenvolvida, ou mesmo "emergente", é aquela que ainda não tornou produtivo o trabalhador manual. (Drucker, Desafios Gerenciais Para o Século XXI, p. 112)
Progressivamente, porém, o incremento da estrutura física na composição orgânica do capital, com o advento e evolução das práticas gerenciais e o desenvolvimento da tecnologia da informação, torna novamente necessário o investimento na formação e qualificação do trabalhador.
Também podemos prever com confiança que iremos redefinir o que significa ser uma pessoa educada. Tradicionalmente, e em especial durante os últimos 300 anos, pessoa educada era alguém que tivesse um fundo prescrito de conhecimento formal. Os alemães chamavam este conhecimento de allgemeine Bildung, e os ingleses e americanos de artes liberais. Daqui em diante, uma pessoa educada será, cada vez mais, alguém que aprendeu como aprender e continua aprendendo, especialmente por meio de educação formal, por toda a sua vida. (Drucker, Administrando em Tempos de Grandes Mudanças, p. 200-201)
Esse movimento se dá, de um lado, no chão de fábrica, pela introdução de maquinaria cada vez mais complexa e proficiente, a qual necessita de um técnico ao invés de um operador (com grandes vantagens de aumento de produtividade e eliminação de postos de trabalho no setor fabril) e, de outro lado, pela necessidade de atualização, qualificação e adaptação constante atribuída aos postos de trabalho gerenciais.
A produção manufatureira americana permaneceu quase imutável em termos de porcentagem do produto nacional bruto nos anos do ‘declínio gerencial’. Ficou em 22 por cento do PNB em 1975 e em 23 por cento em 1990. Durante esses vinte anos, o produto nacional bruto cresceu duas vezes e meia. Em outras palavras, a produção manufatureira total dos Estados Unidos cresceu mais de duas vezes e meia nesses vinte anos.
Mas o número de empregados em manufatura não cresceu. Ao contrário, de 1960 a 1990 ele caiu como porcentagem da força de trabalho e também em números absolutos. Nesses trinta anos, ele caiu de 25 por cento da força de trabalho para 16 a 17 por cento. Nesse período, a força de trabalho total americana dobrou – o maior aumento já registrado por qualquer país em tempo de paz. Porém, todo esse aumento foi em empregos que não envolviam fazer e movimentar coisas. (Drucker, Sociedade Pós-Capitalista, p. 44)
Desta forma, o capitalismo entra numa fase onde a formação do trabalhador, sua educação e propensão a aprender, se confunde com sua capacidade operacional. Daí porque muitos autores falam em “economia pós-industrial”, “sociedade pós-capitalista”, da necessidade de reconfiguração do conceito de trabalho, de “trabalhador do conhecimento”, num contexto de mudanças e quebra de paradigmas.
Aquela profunda percepção de Towne, feita há quase um século atrás – que o conhecimento é o recurso produtor de riquezas – começou a dar frutos nesses últimos trinta anos. Em toda parte, o indivíduo com treinamento profissional vai se tornando a verdadeira “força de trabalho” – em termos de custo e de quantidade, e evidentemente em termos de contribuição. O “trabalhador” de outrora, com o qual Owen foi o primeiro a se preocupar e cujo trabalho foi analisado por Taylor, está rapidamente se tornando uma coisa do passado na indústria moderna. O trabalho é cada vez mais realizado por pessoas com educação superior, que contribuem com seus conhecimentos e que trabalham com suas mentes. (Drucker, Fator Humano e Desempenho, p. 29-30)

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
DRUCKER, Peter. Administrando em Tempos de Grandes Mudanças. São Paulo: Pioneira, 1999.
DRUCKER, Peter. Desafios Gerenciais Para o Século XXI. São Paulo: Pioneira, 1999.
DRUCKER, Peter. Fator Humano e Desempenho. 3. ed. São Paulo: Pioneira, 1997.
DRUCKER, Peter. Sociedade Pós-Capitalista. 7. ed. São Paulo: Pioneira, 1997.

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