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5 de fev de 2013

Desafios Gerenciais do Século XXI


Com o rápido desenvolvimento capitalista no século XX, a necessidade de interferência humana direta no processo produtivo tornou-se menor. Além das implicações com redução de custos, esse movimento vem liberando o fator humano da planta física industrial, apesar do volume cada vez maior de produção.
Em 1900, a grande maioria das pessoas nos países desenvolvidos ainda trabalhava no mínimo 60 horas por semana, 51 semanas por ano – com cerca de 8 feriados anuais – e 6 dias por semana. No final do século, a maioria trabalha menos de 40 horas semanais – 34 ou 35 na Alemanha – e (nos Estados Unidos) 47 semanas por ano (isto é, com cerca de 12 feriados anuais) e 5 dias por semana – uma queda de mais de 3.000 horas por ano para menos de 1.500 horas na Alemanha e 1.850 horas no país desenvolvido em que mais se trabalha: os Estados Unidos. (Drucker, Administrando em Tempos de Grandes Mudanças ,1999, p. 49)
Nesse sentido, verifica-se ainda o crescimento da importância econômica do setor de serviços, indicando um reposicionamento do contexto das relações de trabalho:
[...Governo,] serviços de saúde, educação  e lazer - são grandes usuários de produtos e serviços [...]. Nenhum deles provê satisfações materiais, isto é, “econômica”. E os quatro não estão no “Livre Mercado”, não se comportam de acordo com as regras dos economistas de suprimento e de demanda, nem são particularmente “sensíveis a preço”; de modo geral, não se encaixam no modelo do economista nem se comportam de acordo com suas teorias. Todavia, representam mais da metade de uma economia desenvolvida, até mesmo a mais “capitalista”. (Drucker, Desafios Gerenciais para o século XXI, p. 50)
Domenico de Masi também observou a respeito:
Alguns pensadores enfatizam sobretudo a passagem de uma economia de produção a uma economia de serviços. São sociólogos, economistas e especialistas em informática. Porém nenhum deles chega a afirmar que esta seja a única característica da metamorfose. Consideram-na, entretanto, um aspecto importante. Daniel Bell, em seu livro The Coming of Postindustrial Society (O Advento da Sociedade Pós-Industrial), se pergunta qual seria a possível data de nascimento da sociedade pós-industrial e escolhe 1956. Nesse ano, pela primeira vez num país do mundo – os Estados Unidos -, o número de trabalhadores do setor terciário, isto é, o setor que oferece serviços, superou a soma do número de trabalhadores do setor industrial e agrícola. (De Masi, 2000, p. 78)


Com a inovação tecnológica permitindo alto volume de produção com qualidade e diferenciação, além de maior acesso a informações para atuação gerencial, várias atividades profissionais entram em processo de reformulação e extinção, enquanto novas funções são criadas. A indisponibilidade de trabalhadores preparados e qualificados torna-se, assim, um empecilho ao mais rápido desenvolvimento do sistema. Nesse contexto, o próprio conceito de qualificação precisa ser revisto, diante da necessidade de constante atualização de conhecimentos.
O psicólogo Herbert Gerjuoy, da Organização de Pesquisa de Recursos Humanos, coloca a coisa de forma muito simples: "A nossa educação deve ensinar ao indivíduo como classificar e reclassificar a informação, como avaliar sua veracidade, como transformar categorias quando necessário, como passar do concreto para o abstrato e vice-versa, como encarar os problemas a partir de uma direção nova – como ensinar a si mesmo. O analfabeto de amanhã não será o homem que não saberá ler; será o homem que não terá aprendido a aprender". (Toffler, 1998, p. 333)
O trabalho então passa pela gestão do conhecimento, pela capacidade de propiciar as condições de qualificação e aprimoramento que tornem o fator humano capacitado a lidar com a base tecnológica e seu desenvolvimento. Os indivíduos se vêem, assim, diante da necessidade de se adequarem às exigências de uma sociedade em transformação.
As máquinas continuarão a evoluir e nós deveremos nos atualizar ininterruptamente, seja para usá-las no trabalho, seja no estudo ou no lazer. Quando foi produzido o software Windows 98, precisamos aprender a usá-lo. Apenas dois anos antes tínhamos aprendido a usar o Windows 95, logo depois foi a vez de programas mais avançados e assim indefinidamente.
Quando a primeira máquina de escrever foi colocada no mercado, tinha diante de si meio século de vida antes de se tornar obsoleta. Hoje, um hardware ou um software são ultrapassados em poucos meses, obrigando todo mundo a se reciclar.” (De Masi, 2000, p. 273)
Nesse contexto, portanto, a disponibilidade de recursos humanos qualificados e com capacidade de adaptação torna-se um fator chave para as organizações.
A mais importante e, na verdade, a única contribuição da Administração no século XX foi o aumento, em 50 vezes, da produtividade do trabalhador manual em fabricação.
A mais importante contribuição que a Administração precisa fazer no século XXI é, analogamente, elevar a produtividade do trabalho do conhecimento e do trabalhador do conhecimento.
Os ativos mais valiosos de uma empresa do século XX eram seus equipamentos de produção. Os mais valiosos ativos de uma instituição do século XXI, seja empresa ou não, serão seus trabalhadores do conhecimento e sua produtividade. (Drucker, Desafios Gerenciais Para o Século XXI, p. 111)
[...]
Mas na maior parte do trabalho do conhecimento, a qualidade não é um mínimo, nem uma restrição, ela é a essência da produção. Ao julgar o desempenho de um professor, não questionamos quantos alunos pode haver em sua classe, mas quantos deles aprendem algo – e esta é uma pergunta de qualidade. Ao avaliar o desempenho de um laboratório médico, a pergunta de quantos exames ele pode realizar através de suas máquinas é secundária em relação à pergunta de quantos resultados de exames são válidos e confiáveis. E isto vale até para o trabalho do arquivista. (Drucker, Desafios Gerenciais Para o Século XXI, p. 117)

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
DE MASI, Domenico. O Ócio Criativo. Rio de Janeiro: Sextante, 2000.
DRUCKER, Peter. Sociedade Pós-Capitalista. 7. ed. São Paulo: Pioneira, 1997.
DRUCKER, Peter. Administrando em Tempos de Grandes Mudanças. São Paulo: Pioneiras, 1999.
DRUCKER, Peter. Desafios Gerenciais Para o Século XXI. São Paulo: Pioneira, 1999.
TOFFLER, Alvin. O Choque do Futuro. 6. ed. Rio de Janeiro: Record, 1998.

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