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13 de set de 2012

Produção em Massa x Produção Enxuta


Produção em grandes quantidades - produção em massa -, está diretamente relacionada à linha de montagem, a qual não seria possível sem antes conseguir-se a padronização das peças, dos componentes, no trabalho industrial. Com peças intercambiáveis, eliminando as discrepâncias que geravam a necessidade de ajustes e da qualificação do trabalho artesanal, a produção em massa pôde evoluir para uma maior organização e simplificação do trabalho, passando a focar o tempo necessário à execução das tarefas e o aumento de produtividade.
O advento da produção em massa não só revolucionou a produção de bens, mas também permitiu a expansão do mercado consumidor, já que a economia de escala obtida pelo alto volume de produção permitiu a oferta de produtos a preços mais acessíveis. As implicações desse modelo atingem todo o âmago social, influenciando o consumismo e remodelando as relações entre homem e trabalho. Galbraith observou esse fenômeno:
Há oitenta anos, a sociedade anônima achava-se ainda confinada às indústrias em que, parecia, a produção tinha que ser em grande escala – construção de ferrovias, navegação a vapor, fabricação de aço e refino de petróleo e certos empreendimentos de mineração. Hoje ela também vende secos e molhados, mói sementes de cereais, edita jornais e oferece divertimentos públicos, atividades que eram outrora de esfera do proprietário individual ou da firma pequena. As firmas maiores aplicam bilhões de dólares em equipamentos e empregam centenas de milhares de homens em dezenas de locais para produzir centenas de produtos. No final de 1974, as 200 maiores empresas individuais dos Estados Unidos – 1/10 de 1% de todas as indústrias – tinham dois terços de todo o ativo empregado na produção industrial, e mais de 3/5 de todas as vendas, empregos e renda líquida. Tal concentração não só é elevada, como se intensifica rapidamente. No final de 1974, a participação das 200 maiores em vendas, empregos e ativo era maior do que a das 500 maiores de 1955! (Galbraith, 1985, p. 13)
Com a produção em massa, a qualificação do "trabalhador de chão de fábrica" (também já chamado de “colarinho azul”) é pouco necessária, constituindo este quase que um mero alimentador de processos, mantendo a maquinaria em funcionamento e contribuindo com funções simples e repetitivas.



Dado o próprio desenvolvimento econômico e as características inerentes de competição no sistema capitalista, o aprimoramento dos métodos de trabalho e otimização de recursos permite melhorias no processo produtivo e surgimento de novos conceitos, explorando oportunidades que o sistema padronizado e de escala da produção em massa não assistia. O desenvolvimento desses aprimoramentos dá origem ao que se chamou de "produção enxuta".
O produtor em massa utiliza profissionais excessivamente especializados para projetar produtos manufaturados por trabalhadores semi ou não-qualificados, utilizando máquinas dispendiosas e especializadas em uma única tarefa. Essas “cospem” produtos padronizados em altíssimos volumes. Por ser a maquinaria tão cara e pouco versátil, o produtor em massa adiciona várias folgas – suprimentos adicionais, trabalhadores extras e espaço extra – para assegurar a continuidade da produção. Por ser a mudança para um novo produto tão dispendiosa, o produtor em massa mantém os modelos padrão em produção o maior tempo possível. O resultado: o consumidor obtém preços mais baixos, mas à custa de variedade, e com métodos de trabalho que muitos trabalhadores julgam monótonos e sem sentido.
O produtor enxuto, em contraposição, combina as vantagens das produções artesanal e em massa, evitando os altos custos dessa primeira e a rigidez desta última. Com essa finalidade, emprega a produção enxuta equipes de trabalhadores multiqualificados em todos os níveis da organização, além de máquinas altamente flexíveis e cada vez mais automatizadas, para produzir imensos volumes de produtos de ampla variedade. (Womack, Jones, Roos, 1992, p. 3)
Na década de 1950, no Japão, empresas como a Toyota começaram a adotar, por força das circunstâncias, mudanças no processo operacional que caracterizariam o sistema de produção enxuta. Porém, tais mudanças só tiveram impacto significativo em nível mundial a partir da década de 1970, graças ao choque de oferta causado pela crise do petróleo - que, particularmente, deu aos carros japoneses uma maior vantagem competitiva, não sendo a indústria americana capaz de responder rapidamente com a oferta de produtos diferenciados, dada sua característica de produção em escala.
A competição é inerente ao sistema capitalista. Cedo ou tarde ocorre uma inovação de processo, a invenção de um novo produto, a descoberta de um novo nicho de mercado. Assim, são obtidas vantagens de pioneirismo, com obtenção de maiores lucros, atraindo novos concorrentes para o setor. Essas inovações acabam absorvidas e aprimoradas por concorrentes, podendo ser adaptadas para outros segmentos de mercado.
Além disso não se pode desconsiderar o contexto de contínua evolução tecnológica e informacional, permitindo a maior difusão, a menor custo, de inovações operacionais e práticas de gestão.
A difusão tecnológica e informacional, acirra a concorrência intercapitalista, tornando o sentido da produção enxuta, de reduzir custos e otimizar recursos (ou seja, “enxugar” a estrutura) como uma tendência comum para muitos setores de mercado.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
GALBRAITH, John K. O Novo Estado Industrial. 2. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1985.
WOMACK, James P., JONES, Daniel T., ROOS, Daniel. A Máquina Que Mudou o Mundo. 11. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1992.


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